As cerimônias de Ashura, que começaram com o mês sagrado de Muharram, repleto de tradições de luto, estão sendo marcadas por uma forte conexão entre a fé religiosa e o apoio ao governo iraniano. Desde a última semana, cidades como Teerã foram adornadas com panos pretos em sinal de luto pela morte de Hussein ibn Ali, neto do Profeta Muhammad e terceiro imam xiita, assassinado há mais de 1.300 anos.

Os dias de Tasua e Ashura, que ocorreram na quarta e quinta-feira, são feriados públicos no Irã, dedicados à lembrança do martírio de Hussein. No entanto, para a República Islâmica, essas celebrações também têm um caráter político. O regime se apresenta como uma continuação do legado de Hussein, que se recusou a se submeter ao que considerava um governo injusto.

Em meio às festividades, imagens de líderes mortos em conflitos recentes com os EUA e Israel, como o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, são exibidas, reforçando a narrativa de martírio. Khamenei, que exerceu poder absoluto por quase 37 anos, é agora referido por alguns como “seyyed ol-shohada”, ou o mais exaltado dos mártires.

As cerimônias em várias cidades têm sido intensificadas, com tendas e estações de Ashura decoradas com mensagens pró-governo. Eventos organizados pelo Estado, que incluem procissões e atividades noturnas, transformam espaços públicos em locais de celebração e resistência. Enquanto isso, muitos iranianos também utilizam este momento para homenagear entes queridos perdidos, especialmente aqueles que morreram em protestos.

O presidente Masoud Pezeshkian, durante um discurso na véspera de Ashura, enfatizou a necessidade de unidade nacional em meio à crescente insatisfação pública e à pressão externa, destacando que qualquer ação que prejudique a solidariedade beneficia o inimigo.