Na Península de Nicoya, na Costa Rica, um estudo revela que a longevidade dos centenários é fortemente influenciada pela companhia e apoio de suas comunidades. Ao longo de visitas a mais de 50 idosos que alcançaram a marca dos cem anos, ficou claro que não são apenas fatores como alimentação e atividade física que contribuem para suas vidas longas, mas principalmente as relações sociais que mantêm.
O conceito de 'zonas azuis'
As chamadas 'zonas azuis' são regiões do mundo onde a concentração de pessoas centenárias é significativamente alta. O termo foi inicialmente criado pelos demógrafos Gianni Pes e Michel Poulain e popularizado pelo divulgador científico Dan Buettner. Além da Península de Nicoya, outras áreas reconhecidas incluem Sardenha (Itália), Okinawa (Japão), Icária (Grécia) e Loma Linda (Estados Unidos).
Estudos demográficos indicam que um homem de 60 anos da Nicoya tem sete vezes mais chances de chegar aos cem anos em comparação a um japonês da mesma faixa etária, sugerindo que fatores ambientais têm um papel preponderante sobre a genética.
O papel dos relacionamentos na longevidade
O que se observa entre os centenários da Nicoya é uma rede social robusta, que não se desfaz com o passar dos anos. Esse apoio contínuo é vital, permitindo que os idosos permaneçam ativos e envolvidos em suas comunidades. Diferentemente de sociedades desenvolvidas, onde a dissociação entre idade cronológica e funcional é comum, na Nicoya, a idade social é mantida, com os idosos frequentemente sendo o centro das atividades familiares.
A gerontóloga Toni Antonucci introduziu a “teoria do comboio”, que descreve a vida como uma jornada com relacionamentos que acompanham o indivíduo. Na Nicoya, esse comboio permanece cheio, com centenários frequentemente cercados por várias gerações, cumprindo papéis ativos dentro de suas famílias.
Estudos apontam que a solidão pode ser um fator de risco significativo para a mortalidade, comparável ao tabagismo. A falta de conexões sociais não só prejudica a saúde mental, mas também a física, pois pessoas com apoio tendem a cuidar melhor de si mesmas.
O sociólogo Zygmunt Bauman argumenta que as sociedades modernas estão cada vez mais desmantelando laços sociais, levando a um aumento do isolamento. Na Espanha, por exemplo, cerca de 2 milhões de idosos vivem sozinhos, refletindo uma tendência preocupante que se espalha por várias nações desenvolvidas.
O isolamento extremo, conhecido no Japão como kodokushi, ou morte na solidão, ilustra a gravidade do problema. Casos de pessoas encontradas mortas em suas casas após longos períodos sem contato ressaltam a necessidade urgente de abordar a solidão como uma questão social, não apenas individual.
Governos, como o da Espanha, já começaram a reconhecer a solidão como uma realidade social e têm implementado políticas para promover a conexão comunitária e intergeracional. Na Nicoya, a vida continua a ser vivida em comunidade, onde a longevidade é celebrada não como um objetivo individual, mas como um resultado da coletividade.
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