Uma disputa judicial que se arrasta há quase seis anos, relacionada a uma mansão de luxo em Angra dos Reis (RJ) avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões, voltou a chamar a atenção nas redes sociais esta semana. O caso envolve o atacante do Tottenham, Richarlison, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência.

Embora Flávio não tenha sido parte do processo, ele foi convocado como testemunha em uma das ações após visitar o imóvel antes da conclusão da venda e retornar posteriormente acompanhado do advogado Willer Tomaz, que é seu amigo pessoal e figura central na disputa pela posse da propriedade.

A repercussão do caso aumentou quando Richarlison comentou uma postagem no Instagram sobre a ação judicial, onde afirmou ter perdido o imóvel após investir cerca de R$ 10 milhões na compra. “Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana”, escreveu o jogador.

A publicação foi feita pela advogada imobiliária Ana Paula Zantut no dia 30 de junho. No vídeo, ela utilizou o caso para esclarecer a diferença entre posse e propriedade de um imóvel, um tema central na disputa judicial.

Após o aumento da repercussão, a advogada decidiu retirar o conteúdo do ar e divulgou uma retratação em 1º de julho. Segundo ela, algumas informações apresentadas inicialmente não refletiam com precisão a situação jurídica atual do processo.

DISPUTA JUDICIAL

A disputa teve início em 2020, quando a empresa Sport 70, ligada a Richarlison e ao empresário Renato Velasco, adquiriu a mansão. Posteriormente, surgiram reivindicações baseadas em antigos direitos de ocupação da área, defendidos por empresas ligadas a Willer Tomaz. O caso foi revelado ao público em setembro de 2022, em uma reportagem do Metrópoles assinada pelo colunista Guilherme Amado.

Durante o processo, a discussão se concentrou na diferença entre posse e propriedade. A empresa ligada a Richarlison argumenta que adquiriu a propriedade do imóvel de forma regular, enquanto o grupo ligado a Tomaz defende que possui direitos possessórios anteriores sobre a área.

Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu a favor da empresa ligada a Tomaz, afirmando que o recurso exigiria um reexame das provas e cláusulas contratuais já analisadas em instâncias inferiores, o que não é permitido nesse tipo de recurso. O relator do caso, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, destacou que “não há como afastar a incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ, visto que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusula contratual, procedimentos inviáveis ante a natureza excepcional da via eleita.”