As campanhas eleitorais no Brasil estão previstas para serem caracterizadas por intensos ataques entre candidatos e elevada judicialização, com um espaço reduzido para a apresentação de propostas substanciais. Essa análise é de Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, em entrevista ao WW.

Noronha observa que essa dinâmica já começou a se formar desde o início do ano, com o PT (Partido dos Trabalhadores) e o PL (Partido Liberal) inundando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com ações judiciais. Ele acredita que essa tendência de confronto deve se intensificar conforme as eleições se aproximam.

“Vai ser uma disputa bem judicializada, muito provavelmente uma campanha também de muitos ataques, ataques mútuos, onde a gente deve ver pouco espaço de apresentação de propostas de fato”, afirmou.

Conflitos não se restringem à presidência

O analista ressalta que os confrontos não se limitarão apenas aos candidatos à presidência. Os aliados de ambos os lados também devem intensificar os ataques, tanto nas redes sociais quanto em outros ambientes públicos. “É muito comum verificar nas redes sociais que um ministro ou um líder de governo acaba partindo para o ataque em direção ao adversário, assim como a oposição critica constantemente”, observou Noronha.

Preocupações com a qualidade do debate público

No que diz respeito à qualidade do debate durante o período eleitoral, Noronha expressou preocupações em relação à proliferação de fake news. Segundo ele, a disseminação de fake news será um fenômeno frequente ao longo do processo eleitoral. “Fake news e tudo mais, isso vai ser muito comum na minha avaliação ver isso durante o processo eleitoral”, disse, acrescentando que o nível de retórica deve ser bastante baixo.

Diante desse cenário, Noronha mencionou que Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, já agendou reuniões com representantes de institutos de pesquisa e empresas de tecnologia para discutir parâmetros de pesquisas eleitorais e o comportamento nas redes sociais, buscando maneiras de mitigar essa ofensiva.

O analista também alertou que as consequências da disputa podem perdurar além do dia da eleição, com ações judiciais que buscam anular candidaturas com base em condutas realizadas durante a campanha, um fenômeno que se tornou uma prática comum no cenário político brasileiro.