A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, esta semana, o Sunshine Protection Act, que visa tornar o horário de verão permanente no país. O projeto foi aprovado por uma votação bipartidária de 308 a 117 e agora segue para o Senado, onde deve enfrentar resistência, inclusive de alguns republicanos.

O presidente Donald Trump havia prometido, antes de sua segunda posse, eliminar as mudanças de horário semestrais, as quais considera "inconvenientes e muito custosas". Apesar do avanço no Congresso, a implementação do horário de verão permanente não é uma tarefa simples, uma vez que a discussão entre cientistas do sono e grupos industriais sobre a melhor abordagem persiste há décadas.

Histórico e impactos do horário de verão

A polêmica sobre a eficácia do horário de verão não é nova. Desde 1919, senadores debatem se os benefícios para trabalhadores urbanos superam as desvantagens para agricultores. Estima-se que a transição entre os horários custe à economia mais de 500 milhões de dólares anualmente, além de estar associada a um aumento em ataques cardíacos, acidentes de carro e internações hospitalares. Por outro lado, a extensão do horário de verão pode resultar em maior tempo de lazer, aumento do consumo e possíveis economias de energia.

Pesquisas recentes mostram que a maioria dos americanos desaprova a inconveniência das mudanças de horário, mas não há consenso sobre a solução ideal. Um levantamento da YouGov, realizado em fevereiro de 2026, revelou que 64% dos entrevistados desejam abolir as mudanças de horário, enquanto 43% preferem o horário de verão permanente e 28% optariam pelo horário padrão o ano todo. Trump descreveu a questão como um "problema 50–50".

Consequências da proposta de horário de verão permanente

Se o horário de verão permanente for adotado, uma análise do United States Studies Center em 2024 indicou que 87% da população urbana dos EUA veria o nascer do sol após as 8h da manhã durante o inverno. Cidades como Nova York, Chicago, San Francisco e Washington, D.C., teriam amanheceres após as 8h15. Isso contrasta com a situação atual, onde apenas 3% da população urbana experimenta nascer do sol após as 8h.

Embora isso possa parecer uma mudança benéfica, a desconexão entre os relógios e os ritmos circadianos pode levar a problemas de saúde, especialmente entre adolescentes. Com cerca de 60% dos trabalhadores nos EUA saindo para o trabalho antes das 8h, a adoção do horário de verão permanente teria impactos significativos na rotina da população, pois muitos alunos começariam as aulas no escuro.

O horário padrão, por outro lado, proporcionaria manhãs mais iluminadas e por do sol mais cedo, mas sacrificaria a popular hora extra de luz à noite no verão. A atual abordagem dos horários tenta equilibrar essas duas considerações, mas a falta de consenso sobre a necessidade de manter as mudanças anuais tem dificultado a definição de uma solução.

Vale lembrar que os EUA já experimentaram o horário de verão permanente em 1973, durante uma tentativa de economizar energia. No entanto, a experiência foi interrompida devido à queda de apoio público e preocupações de segurança. Com a divisão atual entre os cidadãos e a história que mostra como a opinião pode mudar rapidamente, o Senado deve considerar cuidadosamente as implicações de tornar o horário de verão permanente.