Os brasileiros dão sinais de cansaço diante do interminável bate-boca da polarização. Prova disso é o súbito crescimento do professor Augusto Cury na última pesquisa Nexus/BTG, o único dos candidatos ‘nanicos’ a chegar ao índice de dois dígitos (11%). Para ele, a polarização política é uma ‘doença, um fator que adoeceu e dividiu o Brasil de forma psicótica e esquizofrênica’. Ou seja, Cury se apresenta como o candidato anti-polarização.
A polarização como um mal?
Há mais de uma década, a política nacional parece aprisionada a uma fotografia de duas cores, na qual tudo deve ser enquadrado como luta entre esquerda e direita, lulismo e bolsonarismo, democracia e autoritarismo, povo e elite. A realidade, porém, é mais complexa do que essa moldura. O cidadão que enfrenta o ônibus lotado, a fila do posto de saúde, o preço dos alimentos, a violência e a insegurança do emprego já não encontram utilidade numa guerra verbal que se alimenta de si mesma.
A polarização não é, por definição, um mal. Divergências fazem parte da democracia, organizam escolhas e permitem ao eleitor distinguir projetos. O problema começa quando a diferença se converte em hostilidade permanente e a disputa deixa de buscar soluções para produzir inimigos. Nesse ambiente, não se debate o mérito de uma proposta; investiga-se de que lado ela veio. O adversário já não é alguém a ser vencido pelo voto, mas um inimigo a ser desmoralizado, silenciado ou expulso da vida pública.
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