Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde,taxa de assassinatos é a menor desde 2012 O Brasil vive uma epidemia de golpes. Os registros de estelionatos cresceram 429,8% desde 2018, segundo dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). Foram 2.261.055 ocorrências registradas no ano passado, média de 258 por hora — ou quatro por minuto — e alta de 2,7% em relação a 2024, segundo o estudo, que existe desde 2011 e mapeia os registros criminais feitos pelas secretarias de segurança pública dos 26 estados e do DF.

O número é recorde e inclui casos mais tradicionais, em que os golpistas usam encenações, cenários falsos e documentos físicos, e fraudes digitais, por meio de links, aplicativos, redes sociais, e IA. Crimes patrimoniais mudaram no pós-pandemia: roubos caíram, estelionatos cresceram Arte/g1 O aumento dos golpes digitais foi de 20,6%, com mais de 346 mil casos no ano passado. Os autores do estudo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmam que o aumento dos estelionatos vem na contramão da queda registrada de roubos e furtos e é explicado por mudanças de hábitos da população e também na dinâmica do crime organizado.

O número total de roubos registrados caiu 18,3%, de 745.193 para 610.959. "A taxa de registros acompanha o grau de bancarização, digitalização e integração ao sistema financeiro formal de cada estado — o que ajuda a explicar por que unidades mais urbanizadas e digitalmente conectadas, como São Paulo e Distrito Federal, encabeçam a lista", dizem Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, pesquisadores do fórum. SP lidera ranking de estados com mais casos São Paulo é o estado com a maior taxa de estelionatos país, com 1.808 casos registrados por 100 mil habitantes.

Na sequência, vêm Distrito Federal, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo. Segundo o fórum, "a taxa de registros acompanha, ainda que imperfeitamente, o grau de bancarização, digitalização e integração ao sistema financeiro formal de cada estado". Golpe da Bíblia: criminosos usam leitura de salmo por telefone para gravar voz de vítimas e aplicar fraudes Reprodução Veja os golpes mais comuns, segundo o estudo Clonagem ou troca de cartão de crédito Criminosos obtêm os dados do cartão da vítima por meio de páginas falsas, maquininhas adulteradas, vazamentos de dados ou contatos fraudulentos para realizar compras sem autorização.

Em outra modalidade, durante uma compra presencial, trocam o cartão da vítima por outro semelhante e ficam com o original e, muitas vezes, com a senha. Golpe do WhatsApp Os criminosos se passam por familiares ou amigos usando fotos e informações obtidas nas redes sociais. Alegam estar com um novo número e pedem dinheiro com urgência.

Em outros casos, conseguem invadir a conta verdadeira da vítima e passam a solicitar transferências aos contatos. Golpe da falsa central bancária O estelionatário liga ou envia mensagens dizendo ser funcionário do banco e informa uma suposta fraude na conta. Durante a conversa, induz a vítima a fornecer senhas, códigos, instalar aplicativos de acesso remoto, transferir dinheiro para uma "conta segura" ou entregar o cartão a um falso funcionário.