O Brasil registra, em média, 5 novos processos por estelionato contra idosos a cada dia. Os dados foram divulgados pela plataforma Escavador nesta 4ª feira (1.jul.2026) e abrangem quase 5.000 denúncias acumuladas entre 2023 e o final de maio de 2026. A Bahia lidera o número absoluto de processos por estelionato contra idosos no período entre 2023 e maio de 2026, com 580 denúncias registradas nos tribunais, segundo o Escavador.
O Estado é seguido por Minas Gerais, com 542 denúncias, e São Paulo, com 458. No extremo oposto, o Acre registrou apenas 3 ações no mesmo intervalo. Foram 1,1 mil processos em 2023, seguidos de 1,3 mil em 2024 e 1,7 mil em 2025, o ano com mais denúncias no período analisado.
O 1º semestre de 2026 já soma 748 ações registradas nos tribunais, o que equivale a 41,7% de todo o volume contabilizado no ano anterior, segundo o Escavador. Mantendo o ritmo atual, 2026 deve encerrar com cerca de 62% mais processos do que em 2023. Segundo a plataforma, a fraude bancária lidera as modalidades de golpe.
Criminosos entram em contato com as vítimas por SMS ou WhatsApp, questionando se reconhecem determinada compra. Ao responder negativamente, a vítima é transferida de setor em setor da quadrilha, que simula com precisão os procedimentos das áreas de prevenção a fraudes dos bancos. Em alguns casos, os estelionatários utilizam dados como o CPF para aumentar a credibilidade da abordagem.
“Entre os mais velhos, a dificuldade é maior, devido à adaptação tardia com a tecnologia e o entendimento das linguagens e procedimentos” , afirmou a coordenadora jurídica e DPO (Data Protection Officer) do Escavador, Dalila Pinheiro . VIOLAÇÃO AO ESTATUTO DO IDOSO O estelionato é um entre vários vetores de pressão sobre a população idosa nos tribunais. O Escavador apurou que os processos por infrações contra o Estatuto do Idoso já somam 29 mil ações no país, com média superior a 8,5 mil por ano.
Dalila afirma que o estelionato diversificou suas modalidades para além das fraudes bancárias e das grandes cidades, multiplicando-se no país por meio de táticas que incluem a venda falsa de veículos, golpes do PIX, boletos clonados, fraudes imobiliárias, empréstimos consignados falsos e o golpe do falso parente. “À medida que o país envelhece e a digitalização dos serviços avança, cresce também a necessidade de mecanismos de prevenção, educação digital e proteção jurídica capazes de reduzir a vulnerabilidade desse público diante de golpes, fraudes e outras formas de violência”, conclui Dalila.
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