O governo brasileiro rejeitou o pedido de visto de dois oficiais da administração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que buscavam viajar ao país para se reunir com autoridades eleitorais antes das eleições presidenciais de outubro. A negativa ocorreu na última sexta-feira, segundo um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O pedido de visto foi feito pelo Assistente do Secretário de Estado, Riley M. Barnes, e pelo Secretário Adjunto Samuel Samson, que solicitaram a entrada no país em 20 de julho. O objetivo da visita era discutir questões relacionadas à integridade das eleições, liberdade religiosa e liberdade de expressão com representantes do governo e líderes religiosos.

Motivos da negativa

De acordo com informações do jornal Washington Post, que noticiou a intenção da visita, autoridades brasileiras expressaram preocupação com uma suposta “manobra” dos EUA, considerada “completamente incompatível com a democracia brasileira”. Um oficial brasileiro, citado pela agência de notícias Reuters, afirmou que a negativa dos vistos foi fundamentada em “evidências que apontam para uma tentativa renovada de explorar politicamente a situação e minar o sistema eleitoral”.

Reação de Washington

Em resposta à negativa, o Departamento de Estado dos EUA declarou que a visita de Barnes e Samson era uma rotina e que qualquer insinuação sobre uma manobra para subverter as eleições em uma nação democrática era uma “mentira infundada”. A expectativa era de que a delegação estivesse em Brasília entre 27 e 30 de julho.

Contexto eleitoral no Brasil

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 4 de outubro. O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição, enfrentando Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O partido Liberal, de direita, confirmou Flavio como seu candidato na corrida presidencial no último sábado.

Jair Bolsonaro, que se encontra sob prisão domiciliar cumprindo uma sentença de 27 anos por conspiração para dar um golpe após sua derrota para Lula em 2022, havia levantado alegações não comprovadas de que o sistema de votação eletrônico do Brasil era vulnerável a fraudes. Flavio, em suas campanhas, repetiu algumas das alegações feitas por seu pai.

Relações entre Bolsonaro e Trump

Jair Bolsonaro é um aliado próximo de Trump, e a família Bolsonaro mantém laços com a administração anterior dos EUA. Em maio, Flavio e seu irmão Eduardo visitaram autoridades em Washington, incluindo Trump. A administração Trump classificou dois dos maiores grupos de tráfico de drogas do Brasil como organizações terroristas estrangeiras, uma decisão que foi contestada por Lula.

Durante seu mandato, Jair foi chamado de “Trump dos Trópicos”, e Trump criticou o julgamento de Jair, considerando-o uma “caça às bruxas”.