Os preços do petróleo bruto estão recuando após o Brent ter atingido a marca de US$ 100 novamente na semana passada, em um momento em que Estados Unidos e Irã interromperam as hostilidades durante o fim de semana. Entretanto, a incerteza em relação ao desfecho do conflito no Oriente Médio está ofuscando as perspectivas dos mercados de ações. Essa situação, somada ao aumento dos gastos da Big Tech em inteligência artificial e aos novos alertas sobre escassez de commodities energéticas, aponta para uma turbulência prolongada nos mercados.
Na semana passada, uma série de acontecimentos desfavoráveis abalou a confiança dos investidores. Além do aumento no preço do petróleo, impulsionado pela expansão da guerra no Oriente Médio para o Mar Vermelho, onde os houthis atacaram dois petroleiros, os apostadores na recuperação econômica enfrentaram a mais recente ofensiva tarifária do ex-presidente Donald Trump e a queda nas ações da Big Tech, após a Alphabet, empresa-mãe do Google, revelar que queimou US$ 6 bilhões em caixa no segundo trimestre devido aos seus investimentos em IA. Este foi o primeiro trimestre em que a Alphabet registrou fluxo de caixa negativo desde sua abertura de capital, conforme destacou o Financial Times, gerando preocupação entre os investidores.
Investimentos elevados e demanda por energia
Os líderes da Big Tech planejam gastar um total combinado superior a US$ 725 bilhões este ano em suas iniciativas de inteligência artificial. Esse montante significativo levanta preocupações entre os investidores, principalmente porque os retornos sobre os investimentos em IA têm demorado a se materializar. Além disso, a Big Tech se tornou um motor importante da demanda global por energia, o que agrava a situação em um cenário de escassez de fornecimento.
A situação se complicou ainda mais após os houthis declararem um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e demonstrarem a seriedade da ameaça ao atacar petroleiros no estreito de Bab el-Mandeb. O conflito no Oriente Médio se expandiu além do estreito de Ormuz, que permanece quase totalmente fechado, resultando em um bloqueio de barris de petróleo que não estão chegando ao mercado. As tensões também se intensificaram na guerra na Ucrânia, com ataques de drones ucranianos à rede do Consórcio de Oleodutos do Mar Cáspio, provocando uma redução acentuada na produção de petróleo do Cazaquistão. Esses eventos perturbam cerca de um quarto da produção mundial de petróleo e uma parte significativa da produção de gás natural.
Impactos econômicos e previsões de mercado
Essas circunstâncias são desafiadoras para a Big Tech, que já enfrenta dificuldades em suprir suas necessidades energéticas em meio ao crescimento planejado de seus centros de dados para IA. Qualquer perturbação no fornecimento de commodities energéticas só tende a agravar a situação, levando a um aumento nos gastos. O aumento nos preços do petróleo e do gás, por sua vez, contribui para a inflação em diversas áreas, uma vez que os custos de energia sustentam a maioria dos outros custos em uma economia.
Como destacou Helima Croft, chefe de estratégia global da RBC Capital Markets, “o conflito entrou em uma fase decididamente mais perigosa”, o que pode alterar a percepção de que “o mercado sempre encontra uma solução”. O cenário atual sugere que as expectativas otimistas podem ser inadequadas, especialmente considerando que a continuação do conflito pode restringir ainda mais a oferta de petróleo.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.