Há exatamente 6 décadas, o Brasil perdeu um craque apto a, na Copa daquele ano, proteger Pelé contra as malvadezas de Bulgária e Portugal. Com ele em campo, talvez poderíamos ter conquistado o tri que só viria em 1970. Nasceu em Rodeiro e cresceu para brilhar nos gramados, mineiro como Tostão (de Belo Horizonte), Piazza (de Ribeirão das Neves) e o próprio Rei (de Três Corações).

Porém, antes de o tricordiano ser atropelado nas 4 linhas dos 4 cantos da Inglaterra e praticamente perder os joelhos no mundial de 1966, nosso herói estava num ônibus que bateu de frente com uma carreta na Rio-Bahia quando ia de casa para São Paulo. Escapou, mas ficou mais de ano internado, tempo em que, como nos versos de Benito Di Paula, se revelou cantor, já que não pôde ser jogador de futebol. Pelé & Cia.

perderam um companheiro, o Brasil ganhou excelente músico. Com tanta notícia grave pipocando a cada minuto, por que é mais relevante falar de nosso misterioso personagem? José Geraldo Juste se agiganta como filósofo exatamente por dar a medida exata de cada peso:“Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí/ Queimando pestanas organizando suas batalhas/ Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas mortalhas/ A cada conflito mais escombros/ Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça/ Dando milho aos pombos”.

Mesmo que não conheça a poesia de Zé Geraldo, o eleitor está cansado de viver nos escombros produto dos conflitos. Quer paz. Pode estar aí a justificativa para o médico Augusto Cury (Avante), famoso por escrever livros de ajuda às pessoas, subir tanto nas pesquisas presidenciais.