Guilherme Torres, um artista circense de 28 anos oriundo de Cidade Tiradentes, embarcará no dia 2 de agosto para Edimburgo, na Escócia, onde representará o Brasil no Festival Fringe, o maior festival de artes cênicas do mundo. Ele fará uma temporada de 11 apresentações do espetáculo 'Vidrado' no teatro Assembly Roxy.
O convite para participar do festival ocorreu logo após a estreia do seu primeiro trabalho solo, que está em cartaz no Sesc Bom Retiro até 12 de julho. A participação de Torres no Fringe é parte do São Paulo Showcase, uma iniciativa da Secretaria da Cultura que leva produções de São Paulo ao festival. O espetáculo foi contemplado pelo edital PNAB nº 34 e marca a estreia do artista em carreira solo, embora tenha sido desenvolvido em colaboração com uma equipe composta pelo diretor Adriano Mauriz e outros profissionais.
Trajetória de um artista circense
A carreira de Guilherme começou em 2008, aos 10 anos, quando entrou para aulas de circo no Centro Cultural Arte em Construção. Este espaço, criado pelo Instituto Pombas Urbanas, foi fundamental para sua formação. Em 2012, ele ajudou a fundar o Circo Teatro Palombar, grupo do qual ainda faz parte. Torres expressa orgulho de sua origem: "Para mim, é um orgulho vir desse bairro e chegar onde eu estou chegando, porque foi bem difícil. Transporte, saúde, trabalho. Mas, ao mesmo tempo, é um bairro muito potente, tem muitos artistas aqui."
Além de atuar como artista, ele também trabalhou como arte-educador, retribuindo o conhecimento que recebeu.
Experiência nas ruas e desafios
Antes de se dedicar integralmente à arte, Torres buscou recursos apresentando-se em faróis e no metrô de São Paulo. "Já teve algumas vezes que eu precisei fazer farol, o que muitos artistas fazem. Eu queria um equipamento. Falei: 'vou pro farol e vou correr atrás'. Deu certo", relata. Ele observa que essas experiências foram importantes para sua formação artística, pois lidam com públicos diversos, em situações que muitas vezes não são favoráveis.
Embora reconheça os desafios, como a exposição e a insegurança, ele afirma que essas experiências são parte do seu trabalho. "Ninguém é obrigado a gostar ou querer ver, mas é um trabalho e temos que seguir de cabeça erguida."
Guilherme também enfrentou dúvidas sobre a viabilidade de viver da arte, mas nunca abandonou sua crença: "Esse é o plano A e o plano B. Eu vou com tudo." Ele destaca a importância de sua apresentação no Fringe para mostrar a força da produção brasileira, ressaltando a alegria e a resiliência do povo brasileiro.
O espetáculo 'Vidrado' narra a história de um viajante que enfrenta desafios em busca do topo de uma montanha, utilizando técnicas de equilibrismo, malabarismo e acrobacias. A apresentação inclui acrobacias com bicicleta e interação com o público, como tocar flauta em uma estrutura montada sobre garrafas de vidro.
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