A Voepass afirmou, nesta 5ª feira (23.jul.2026), que “sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais” . A nota foi divulgada depois da apresentação do relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre o acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. A empresa reconhece que a queda do avião foi “o episódio mais difícil” de sua história, mas defende que a tripulação do voo era experiente, capacitada e devidamente certificada.

O relatório foi apresentado, em Brasília, pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, depois de ter sido divulgado aos familiares das vítimas. [NEWS] Segundo a Voepass, a tripulação acumulava mais de 5.000 horas de voo e tinha treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde “rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação” . A empresa destacou que opera há mais de 30 anos na aviação brasileira e detém a certificação IOSA desde 2012, descrita como “um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas” pela Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos).

Trata-se de um sistema internacional que avalia os sistemas de gestão e controle operacional de uma companhia aérea. “Desde o início das apurações, a Voepass atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário” , diz a nota. A nota contrasta com o trecho do relatório que cita 8 avisos à tripulação sobre acúmulo de gelo nas asas, motivo que levou à queda do avião.

Em uma das ocorrências, o piloto reconheceu ter esquecido de ativar o sistema de degelo e informou ao copiloto que o teria acionado. O sistema, no entanto, permaneceu desligado. A caixa-preta registrou que, durante os alertas, o piloto e o copiloto conversavam sobre assuntos pessoais.

O Cenipa sinaliza ainda que o piloto enfrentava problemas pessoais que afetaram negativamente seu desempenho. Sob estresse, os investigadores concluíram que a tripulação entrou em estado de “surdez e cegueira por desatenção” e não reagiu de forma adequada à gravidade da situação. RELATÓRIO DO CENIPA Segundo o Cenipa, a aeronave partiu de Cascavel com 10 itens em pane registrados na MEL (Lista Mínima de Equipamentos, sigla em inglês), mecanismo que autoriza operações temporárias com equipamentos inoperantes, desde que cumpridas restrições técnicas e de prazo.

Leia a íntegra (PDF – 18 MB) Um desses itens era o limpador do para-brisa, e a própria MEL proibia a decolagem quando houvesse previsão de chuva numa janela de uma hora antes até uma hora depois do horário de partida, além de restrições equivalentes para o destino e o aeroporto alternativo. A documentação meteorológica entregue aos pilotos antes do voo indicava possibilidade de formação de gelo severo entre os níveis de voo 120 e 210. O avião era certificado para operar em condições de gelo com os sistemas de proteção ativos, mas não estava autorizado a permanecer em condições de gelo severo.