Tala Mohammed Waheed Awad, de 14 anos, foi uma das medalhistas de ouro da Olimpíada de Matemática das Escolas Estaduais de São Paulo (Omasp). Montagem/g1/Reprodução/Acervo pessoal A estudante palestina Tala Mohammed Waheed Awad, de 14 anos, conquistou uma medalha de ouro na Olimpíada de Matemática das Escolas Estaduais de São Paulo (Omasp), após chegar ao Brasil há menos de um ano fugindo da guerra na Faixa de Gaza. Competindo com 117,8 mil estudantes dos ensinos Fundamental e Médio da rede estadual, Tala conquistou uma das 16,3 mil medalhas de ouro distribuídas pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) aos alunos que atingiram a pontuação máxima na Prova Paulista do primeiro bimestre.
Aluna do 9° ano da Escola Estadual Tarcísio Álvares Lobo, na Freguesia do Ó, na Zona Norte da capital paulista, Tala ficou sem frequentar uma escola de forma regular desde outubro de 2023, quando Israel iniciou a invasão da Faixa de Gaza após o atentado que matou 1,2 mil israelenses. "Desde o início da guerra, não havia mais ensino em Gaza. Quando saí da Faixa de Gaza e fui para o Egito, não consegui me matricular em nenhuma escola egípcia, porque não tínhamos residência no país, e as regras não permitiam.
Havia aulas on-line vinculadas ao sistema de ensino da Cisjordânia, mas essa experiência ainda estava no começo e não tinha estrutura nem os recursos básicos necessários. Por isso, infelizmente, não consegui aprender nem aproveitar esse ensino de forma efetiva", contou ao g1. Palestinos terão a primeira eleição em 20 anos A estudante relembra as dificuldades enfrentadas durante o período mais intenso do conflito, quando ela e a família ficaram sob fogo cruzado entre Israel e o Hamas e correram risco de morrer.
"Vivi seis meses em meio ao conflito direto. Fui exposta a todos os tipos de perigo e precisei fugir de um lugar para outro em busca de segurança, mas não havia nenhum lugar realmente seguro. Perdi grande parte da minha família, tanto do lado do meu pai quanto do lado da minha mãe." Tala afirma que encontrou na matemática a oportunidade de retomar uma rotina e superar parte dos traumas provocados pela guerra.
"A matemática significa muito para mim, e eu a amo. Como fiquei dois anos sem ter acesso ao meu direito à educação, quando cheguei aqui encontrei a oportunidade e o espaço para mostrar o meu talento, a minha habilidade e o meu bom desempenho", afirmou. Tala, o pai e os irmãos exibem a bandeira do Brasil em evento da Copa do Mundo em São Paulo.
Acervo pessoal A mãe da estudante, Ahlam Awad, diz que a família comemora a conquista da filha e considera o resultado um marco na adaptação à nova vida no Brasil. "Eu e o pai dela temos muito orgulho dela, especialmente depois de todo o sofrimento que passamos em nosso país. Durante os últimos anos, desde o início da guerra na Faixa de Gaza, na Palestina, ela foi privada do seu direito à educação", disse.
"Estamos aqui há menos de um ano. Tudo era diferente para nós, e a maior dificuldade enfrentada pelas minhas filhas foi aprender uma nova língua, diferente da língua materna delas", acrescentou. Classificada para a 2ª etapa Medalhas distribuídas pela Seduc-SP entre os melhores estudantes de Matemática do estado de SP.
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