A expansão do cacau na Amazônia brasileira está ocorrendo em áreas já desmatadas, sem necessariamente envolver novos desmatamentos, conforme indicado por um estudo recente.

O Instituto Brasileiro de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mapeou a expansão da cultura do cacau em Pará, o maior produtor do país, entre 2022 e 2024. O estudo revelou que a área dedicada ao cultivo de cacau aumentou em um terço, totalizando 116,436 hectares (287,700 acres).

Nestas áreas, 96% dos cacau plantados em Pará e 98% em Rondônia estão em terras que já foram desmatadas antes de 2020. Essa prática está em conformidade com as regulamentações de sustentabilidade da União Europeia, fortalecendo a posição do Brasil como potencial exportador de cacau.

Adriano Venturieri, especialista em sensoriamento remoto do Embrapa Amazônia Oriental, liderou o estudo. Além disso, o relatório indica um novo padrão de cultivo: enquanto anteriormente todas as lavouras de cacau identificadas em Pará eram em sistemas agroflorestais, agora cerca de dois terços das novas plantações são monoculturas de sol pleno, onde apenas uma espécie é cultivada em grandes áreas sem sombra.