O uso da tecnologia nas salas de aula da rede municipal de Goiânia deixou de ser apenas uma promessa para se tornar parte da rotina de estudantes e professores. Em quatro escolas da capital, alunos passaram a utilizar notebooks com recursos de inteligência artificial, lousas digitais e chromebooks em atividades pedagógicas e, em muitos casos, assumiram um papel pouco comum: tornaram-se multiplicadores do conhecimento, ensinando colegas e até estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) a utilizar as ferramentas digitais. Os resultados desse trabalho foram apresentados durante o encerramento do terceiro ciclo do projeto Aluno Sempre Conectado (ASCON), iniciativa desenvolvida desde 2022 em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia.
Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, o programa alcançou mais de 1.280 estudantes do 6º ao 9º ano e 70 educadores de quatro escolas da rede municipal: Escola Municipal Professora Silene de Andrade, Escola Municipal Marcos Antônio Dias Batista, Escola Municipal Ernestina Lina Marra e Escola Municipal João Braz. Ao longo do ciclo, 42 alunos que atuaram como tutores foram reconhecidos pelo desempenho e receberam notebooks de última geração, equipados com inteligência artificial embarcada e tecnologia Qualcomm Snapdragon. Mais do que inserir equipamentos nas escolas, a proposta buscou mudar a forma como a tecnologia é utilizada no processo de ensino.
As atividades incluíram mentorias on-line, oficinas presenciais e trilhas de aprendizagem mediadas por um chatbot, estimulando autonomia, colaboração e o protagonismo dos estudantes. Um dos destaques desta edição foi a participação dos alunos tutores em ações voltadas para a Educação de Jovens e Adultos. Os próprios estudantes passaram a orientar os alunos do período noturno sobre o uso dos equipamentos, promovendo um intercâmbio de conhecimentos entre diferentes gerações dentro da escola.
A diretora da Escola Municipal Marcos Antônio Dias Batista, Rosângela Ferreira Braga dos Santos, afirma que a experiência teve impacto especialmente entre os estudantes da EJA. “Os alunos do diurno passaram a fazer o treinamento com os alunos mais velhos, do turno da noite, e vocês não imaginam o quanto isso foi gratificante. Eles ficaram impactados simplesmente por poder manusear, ligar e utilizar aqueles equipamentos, que já são tão comuns para a maioria de nós.
Em um território de periferia, onde nem sempre as oportunidades chegam, nossa seleção no projeto significou mais do que tecnologia: significou oportunidade. Vocês nos conectaram com o mundo.” Na Escola Municipal de Tempo Integral Professora Silene de Andrade, a chegada das lousas digitais também modificou a dinâmica das aulas. Segundo a diretora Renata Lorena Vilela de Aguiar, os professores passaram a integrar os equipamentos aos chromebooks, tornando as atividades mais participativas.
“Enriqueceu sensivelmente o trabalho. A aula ficou mais dinâmica e os alunos elaboraram os próprios quizzes, que foram aplicados pelo professor nas outras turmas. Às vezes eu passava na porta da sala e ouvia aquela gritaria.
Pensava que havia algum problema, mas era a aula acontecendo, com todos participando e bastante envolvidos.” Os estudantes também relatam mudanças na forma de aprender.
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