Em meio a ondas de calor intensas e prolongadas, agricultores dos Estados Unidos estão adaptando suas práticas de colheita para proteger suas safras. Annie Woods, uma agricultora de Brooksville, Kentucky, colhe abóboras e abobrinhas ao pôr do sol, evitando os períodos mais quentes do dia para preservar a qualidade dos produtos.
As mudanças climáticas têm intensificado eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, resultando em janelas de plantio mais curtas e maior risco de perda de safras. Woods afirma que as ondas de calor não são mais eventos isolados, mas parte de um padrão crescente que afeta diretamente a agricultura.
Adaptações no cultivo
Os agricultores estão ajustando seus horários de trabalho, colhendo em períodos mais frescos, como pela manhã e no final da tarde. Woods, que realiza a colheita manualmente, utiliza tendas para criar sombra e se hidratar frequentemente durante o trabalho. Essa abordagem se torna essencial para manter a qualidade das colheitas, especialmente em condições de calor extremo.
O calor severo não apenas afeta a colheita, mas também favorece o surgimento de doenças e pragas que podem comprometer as lavouras. A agricultora prioriza a colheita de culturas vulneráveis, como folhas para salada, e mantém as mudas em um ambiente controlado, utilizando um celeiro para garantir temperaturas mais amenas.
Desafios e soluções para pequenos produtores
Outros agricultores, como Paul Rasch, que possui pomares em Iowa, também enfrentam desafios semelhantes. A equipe de Rasch teve que acelerar a colheita de framboesas devido ao calor, reduzindo a janela de colheita de três semanas para um período mais curto. Para melhorar as condições de trabalho, ele instalou ar-condicionado em sua propriedade e está ampliando áreas de sombra para os visitantes.
Woods e Rasch destacam que pequenos produtores enfrentam mais dificuldades em obter proteção contra eventos climáticos extremos, em comparação com aqueles que cultivam commodities como milho e soja. Os programas de seguro agrícola nos EUA, muitas vezes, não atendem às necessidades de quem cultiva uma diversidade de produtos em pequenas áreas.
De acordo com Duncan Orlander, especialista em políticas públicas, esses programas foram desenvolvidos com foco em lavouras únicas, deixando os pequenos agricultores em desvantagem. A burocracia para assegurar diversas culturas pode ser excessiva, e algumas culturas especiais não têm cobertura em certas regiões.
Para Woods, a agricultura apoiada pela comunidade (CSA) oferece uma solução flexível, permitindo que os agricultores se preparem melhor para eventos climáticos adversos. Ela acredita que a diversidade de culturas e o apoio da comunidade são fundamentais para garantir a resiliência diante das mudanças climáticas.
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