Afastamentos por vício em jogo batem recorde após avanço das bets

Um levantamento exclusivo do g1, com dados da Previdência Social, indica que 2026 registrou um recorde de afastamentos do trabalho por ludopatia, com 377 casos até agosto, contra 312 em todo o ano passado. O custo também aumentou, com gastos com benefícios em junho deste ano sendo seis vezes maiores do que em 2023.

O raio-x feito pelo g1 e confirmado pela Previdência aponta que essa escalada acompanha a chegada das casas de apostas online, liberadas no país em 2018. Até 2022, os afastamentos por ludopatia giravam em torno de dez por ano.

Impacto econômico e psicológico

Os afastamentos por ludopatia custaram pelo menos R$ 4,8 milhões à Previdência desde junho de 2023 até agosto deste ano. No entanto, o número real pode ser maior, já que muitos casos são subnotificados. A conta inclui apenas trabalhadores que contribuem para o INSS e precisaram se afastar por mais de 15 dias, e considera apenas o CID F63.0, que abrange apenas o jogo patológico.

Muitos apostadores, segundo os médicos, entram em quadros severos de ansiedade e depressão, que acabam entrando em outros CIDs. A ludopatia é reconhecida pela psiquiatria como doença desde 1980, com o auge dos bingos e cassinos. Ela funciona no cérebro como a dependência de álcool e drogas, mas tem um ponto mais difícil de superar com a revolução do 'tigrinho': o celular deixa o jogo disponível o tempo todo.