A inteligência artificial chegou ao cotidiano pelo caminho mais sedutor: a facilidade. Ela escreve, pesquisa, organiza, resume, calcula, traduz, programa e economiza tempo. Em muitos casos, gratuitamente. Nas versões mais sofisticadas, cobra mensalidades ainda acessíveis para uma parcela considerável da população e das empresas.
O resultado é uma transformação de comportamento em velocidade extraordinária. Quanto mais a inteligência artificial é utilizada, mais indispensável ela se torna.
Trilhões não são investidos por caridade
A expansão da inteligência artificial exige chips, energia, data centers, redes de transmissão, sistemas de refrigeração, profissionais qualificados e volumes gigantescos de capital.
No início, a inteligência artificial parecia uma novidade. Depois, virou ferramenta. Agora, começa a se transformar em infraestrutura econômica.
O Brasil está entre os três maiores mercados do Chat GPT em número de usuários ativos semanais. Segundo a OpenAI, os brasileiros já enviam aproximadamente 215 milhões de mensagens por dia à plataforma. Mais de um terço das interações classificadas no país está relacionado ao trabalho.
No mundo, o aplicativo do Chat GPT ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais, de acordo com estimativas da Sensor Tower divulgadas pela Reuters.
Não se trata necessariamente de um vício no sentido clínico. É algo economicamente mais relevante: uma dependência funcional.
Quando uma pessoa descobre que consegue realizar em uma hora o que antes exigia uma tarde inteira, abandonar a ferramenta passa a representar perda de produtividade. E quando uma empresa transfere parte de sua rotina, de sua memória e de seus processos para uma plataforma, mudar de fornecedor deixe de ser uma decisão simples.
A inteligência artificial não precisa obrigar ninguém a permanecer. Basta tornar muito caro o ato de sair.
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