Andy Burnham chega à sede do Partido Trabalhista, em Londres, onde foi confirmado como o novo líder da sigla antes de tomar posse como primeiro-ministro do Reino Unido, em 17 de julho de 2026. Alberto Pezzali/ AP A posse do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, na última segunda-feira (20), ocorre poucas semanas após a marca dos dez anos do referendo do Brexit - que deu o pontapé inicial para a saída do Reino Unido da União Europeia. Uma década marcada por instabilidade política no país, que elegeu sete premiês no período.

A aprovação do divórcio entre a nação britânica e o bloco econômico, em 2016, está diretamente ligada ao vaivém político que se estabeleceria ainda no ano em que o referendo foi aprovado. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp 🔍O Brexit começou a tomar forma após o referendo de 23 de junho de 2016, quando 51,9% dos britânicos votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia. O governo acionou oficialmente o Artigo 50 do Tratado da União Europeia em março de 2017, iniciando um período de dois anos para negociar os termos da retirada.

Depois de sucessivos impasses no Parlamento britânico e da rejeição de diferentes versões do acordo negociado pela então primeira-ministra Theresa May, Boris Johnson renegociou parte do texto e conseguiu aprová-lo. Para Kai Enno Lehmann, professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP), o principal legado econômico do Brexit é a estagnação prolongada da economia britânica. Segundo ele, a saída da União Europeia reduziu significativamente o tamanho do mercado acessível ao Reino Unido, que deixou de fazer parte do mercado único europeu, com cerca de 500 milhões de consumidores, para depender de um mercado interno de aproximadamente 68 milhões de pessoas.

Além disso, a criação de barreiras regulatórias e comerciais dificultou o acesso ao principal destino das exportações britânicas, afetando o crescimento econômico, a evolução dos salários, o controle da inflação e a confiança dos investidores. Andy Burnham é o novo Primeiro-ministro do Reino Unido O saldo do Brexit Lehmann diz que, se o resultado da saída da UE para os britânicos foi ruim para a economia, para a política também. “O Brexit enfraqueceu a própria união do Reino Unido.

Hoje existe uma divisão entre a Irlanda do Norte, que continua integrada ao mercado único europeu em vários aspectos, e o restante da Grã-Bretanha. Também fortaleceu movimentos nacionalistas, especialmente na Escócia e, mais recentemente, no País de Gales, onde o partido nacionalista venceu as eleições para o Parlamento galês”, acrescenta o especialista. ⏳ O Reino Unido deixou formalmente a União Europeia em 31 de janeiro de 2020, mas permaneceu em um período de transição até 31 de dezembro daquele ano, quando passaram a valer as novas regras para comércio, imigração, circulação de pessoas e cooperação entre as duas partes.

Mais um, menos um A troca de premiê atual acontece, como as demais antes dela, por uma crise de popularidade. Segundo o professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Eduardo Mello, o próprio desenho do sistema político britânico favorece a alternância de poder.